Carta Grãos – Caiu o ritmo das exportações brasileiras de milho

Final de ano, o ritmo dos negócios diminuiu desde novembro.

A exportação em novembro e em dezembro diminuíram em relação aos meses anteriores.

Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, a média diária exportada caiu 26,5% em novembro (176,0 mil t/dia), frente a outubro, cujo desempenho foi de 239,4 mil t/ dia.

Até a segunda quinzena de dezembro o volume diário foi de 237,1 mil toneladas/dia, aumento em relação a novembro (o dólar ajudou), mas abaixo dos patamares de setembro (283,0 mil t/dia), mês de maior volume embarcado.

Apesar da perda do ritmo neste final de ano, na comparação com o mesmo período de 2016 as exportações aumentaram em todos os meses desde maio. Veja a figura 1.

Figura 1.
Exportações brasileiras de milho grão, em milhões de toneladas.


Fonte: MDIC / Compilado pela Scot Consultoria

Esta menor movimentação, característica de final de ano, tirou a sustentação das cotações no mercado interno.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na região de Campinas-SP, a saca de 60 quilos está cotada em R$30,50, sem o frete.

Houve queda de 1,1% em relação ao fechamento de novembro. Na comparação com dezembro de 2016, a cotação do milho está 18,4% menor.

Espera-se menor movimentação no mercado de milho, com as festas de final de ano. Os preços deverão andar de lado, mas quedas pontuais não estão descartadas na segunda quinzena de dezembro.

Para meados de janeiro de 2018, com a retomada da demanda interna e a perspectiva de exportação, a expectativa é de preços firmes, até que a colheita da safra de verão ganhe força (meados de fevereiro).

A redução na produção em 2017/2018 é um fator de alta de preços, porém, estes aumentos deverão ser limitados pelos estoques maiores, na temporada.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou, no relatório de dezembro, uma oferta 5,7% menor que no ciclo anterior. Isto significa 5,62 milhões de toneladas a menos.

O estoque de passagem, está estimado em 19,43 milhões de toneladas em 2016/2017 e 23,55 milhões de toneladas ao final de 2017/2018.

Ou seja, um cenário bastante diferente das 6,95 milhões de toneladas em 2015/2016, ano de forte alta de preço no mercado brasileiro.

Para o pecuarista que precisa de milho até março/abril do ano que vem, a sugestão é de antecipar as compras aproveitando o mercado frouxo neste final de ano e começo de 2018.

Considerando os preços dos contratos futuros na B3 com vencimento em março, cuja cotação estava em R$34,00 por saca (18/12), a alta esperada em relação aos preços vigentes em Campinas-SP é de 10,0%.

Para a segunda metade do ano, os preços dependerão do clima e do desenrolar da segunda safra. Se tivermos uma redução significativa na produção de milho de inverno existe a possibilidade de altas de preços a partir de março /abril, mas como citado, este aumento seria limitado pelos estoques maiores.