2017: ano de desafios e conquistas

Crédito: Istock/ValentynVolkov

O ano de 2017 está no fim e é chegada a hora de fazer um balanço da atuação do setor lácteo. Momento oportuno para revirar as gavetas do escritório, limpar os armários e dar início efetivamente a este blog cujo desafio foi feito pela equipe do Canal Rural ainda no primeiro semestre e aceito de bate pronto. Não será uma tarefa fácil estar aqui com vocês em meio à agenda corrida do setor lácteo, mas farei o maior esforço possível para trazer um pouco dos bastidores e da vida de quem labuta pelo desenvolvimento da produção por esse Brasil afora.

E para começar, queria dizer que 2017 foi um ano difícil, mas que termina com uma porta aberta ao futuro. Refiro-me às compras governamentais recém oficializadas pelo governo federal. O tema vinha sendo discutido com o governo federal, diga-se Ministério da Agricultura e Ministério do Desenvolvimento Rural, desde julho desse ano. Na Expointer, cobramos uma posição mais firme do ministro Blairo Maggi e lá veio ele com socorro ao setor. O alinhamento do assunto foi feio em reunião organizada pelo Sindilat no dia 14 de setembro na Casa Civil. Além de representantes dos cinco maiores produtores de leite do país (RS, SC, PR, MG e GO), participaram Casa Civil, Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio e Ministério do Desenvolvimento Rural, além de deputados federais, agenda essa que contou com apoio do deputado Covatti Filho. Nesse encontro todos os representantes dos estados puderam se manifestar sobre a compra governamental e a entrada de leite em pó do Uruguai, além do reajuste do valor do quilo do leite em pó, que estava fixado em R$ 11,90 e passou a R$ 13,94.

Em resposta a esse encontro coletivo, veio o primeiro ao bloqueio do leite uruguaio. É importante que se diga que o Sindilat defende um sistema de cotas eficaz para conter excedentes através de acordo entre as entidades privadas do Brasil e Uruguai. Apesar das divergências, o impasse criado com o país vizinho está em vias de ser totalmente dirimido. Em recente reunião com o embaixador do Uruguai em Brasília, provocada pelo Sindilat e coordenada pelo deputado federal Covatti Filho, deu-se início a um trabalho para transformar o Mercosul em uma oportunidade e não em um risco. Juntos, podemos trabalhar com um sistema de identificação geográfica que nos permita galgar mercados além da América. Nesse encontro, além do Sindilat, estavam OCB, G-100, Contag, Viva Lácteos, Famurs, Fetag/RS, Farsul/RS e CNA. Pois entendemos que é por meio da união que o setor se fortalecerá e será respeitado dentro do Brasil.

Mas voltando a falar das compras governamentais, gostaria de discordar de comentários feitos recentemente que criticaram a suposta “hegemonia” das cooperativas gaúchas no plano de apoio que adquiriu leite em pó. É verdade que 31 das 34 cooperativas beneficiadas estão em solo gaúcho. Contudo, esquecem os articulistas, que a ação busca estimular a produção de base familiar e que o trabalho desse projeto foi encabeçado exatamente pelo Sindicatos das Indústrias do Rio Grande do Sul. E tem mais: ele surge como um primeiro aceno do governo no sentido de auxiliar o setor. Esperamos que 2018 venha com novos aportes e, então, quem sabe mais cooperativas de diferentes regiões serão atendidas.

Importante que se diga também que não fomos atendidos na totalidade da demanda, mas o governo fez o seu esforço dentro das limitações de seu caixa. O renomado comentarista ainda criticou a ação refutando o uso de recurso público para atender o mercado lácteo do RS. E foi além: disse que a consequência será uma ajuda ao Uruguai que irá poder vender mais leite em pó para o Brasil.

Sinceramente acredito que pensou uma coisa e disse outra. Disse que empregar recursos públicos para atender as demandas nutricionais das camadas mais pobres do nosso país é uma má aplicação de valores. Se isso fosse fato concreto e certo, deveríamos repensar todas as ações com recursos públicos. Até concordo que alguns casos carecem de um melhor destino para a verba pública, mas não podemos generalizar. Que em 2018 tenhamos mais capacidade de refletir a fundo sobre nossas políticas de base e colher juntos o trabalho de todos.

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