Mais fácil ver o Saci-Pererê

No mundo do Feijão, encontramos alguns atores típicos. Há o produtor que não quer que ninguém plante por isso trabalha todo tempo para influenciar quem puder com superdimensionadas safras de outros lugares ou mesmo com o custo que desestimule outros a plantar, demonstrando quão pouco atrativa é a cultura para o período à frente.

Há ainda o especulador hipócrita que pousa de bonzinho e que não para de postar em grupos de WhatsApp quão grande é a safra que está acontecendo e “que dó” que dá se o preço cair. Na verdade, ele vive das oscilações dos preços e, como são mais de 100 mil produtores, sempre alguém vai acreditar nele e, com o desespero deste produtor, “sem dó” paga muito abaixo do custo e, no inescrupuloso capitalismo, se sente reconfortado com seu ganho desonesto. Sim, desonesto, e não é questão de ser contra o especulador, mas sempre que ele se torna analista de mercado, para os a quem ele influencia é, sim, desonesto. O especulador não deve “achar” nada. Ele tem que fazer a sua oferta e comprar, ele dá liquidez ao mercado e fim. Assim ele age exatamente como os políticos que ele esbraveja e se revolta em postes no Facebook e WhatsApp.

Se isso não fosse suficiente, há a desinformação pública. As pesquisas e os levantamentos afirmam, são feitos constantemente, mas é mais fácil encontrar o Saci-Pererê do que um produtor que tenha sido alguma vez indagado, por orgãos oficiais,  sobre suas áreas de plantio de Feijão.

Isto leva as pessoas a se convencerem do que lhes é mais conveniente. Um especulador acredita que a área plantada e a produtividade serão gigantescas até que os preços cheguem a um patamar conveniente para formar estoque e apostar nos preços. Se ele erra na aposta ou em algum momento é colocado frente a frente com as suas declarações erradas diz que “não adianta… De Feijão ninguém sabe… Doutor em Feijão já nasceu morto.”

É claro, se avaliaram a safra do Nordeste em 5 milhões de sacas e que até dezembro os preços permanecerão baixos, na hora que a verdade aparece e o Feijão repentinamente sobe ficam atônitos, sem chão. Dia desses um produtor que visitou o Brás e viu a forma pouco crível como acontecem os negócios afirmou: “Se você não entende o mercado de Feijão, não se preocupe, o problema não é você”. Quis dizer que se este mercado foge a qualquer lógica é porque está sendo mal avaliado e analisado. Resumiu muito bem o fato de que, se houver nível de informação melhor, não surpreenderá mais a tantos e com tanta frequência.

Análises de imagens de satélite, levantamentos com cruzamento de dados de sementeiros com produtores, lojas de insumos e indústrias poderão pôr mais luz neste ambiente. Ainda é possível que, com a reforma tributária, o fato de zerar eventualmente a tributação poderá, através das notas eletrônicas, colocar os volumes mais próximos a realidade.

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