Pirataria, burocracia e pouca diversificação, como evoluir?

 

Embora faça parte da mesa de quase todas as famílias brasileiras, há mais de dez anos, a produção agrícola e o consumo de Feijão no país continuam os mesmos, principalmente porque não contam, atualmente, com novas políticas voltadas para esse setor.

São muitas as variáveis que contribuem para que o consumo de Feijão não aumente. Uma delas é porque estamos produzindo, há mais de uma década, a mesma quantidade de Feijão. Dessa forma, desapareceram estoques estratégicos que, antes, eram mantidos pelo governo. Ainda importamos, principalmente, Feijão-preto.

O maior de todos os gargalos desse importante setor agrícola, ao menos para o mercado interno, é a produção de um Feijão que só o Brasil produz e consome: o carioca. Cerca de 70% da produção e consumo é dessa variedade. Isso criou um ‘beco sem saída’ para o produtor e para o consumidor. Se sobra, não temos para onde mandar e o preço despenca. Quando falta, não há de onde importar. Este gargalo começa a ser lentamente resolvido.

O Instituto Brasileiro do Feijão & Pulses (Ibrafe) acredita que a diversificação é o principal desafio da produção de Feijão no país e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade de resolver esse enorme gargalo. É possível produzir variedades que agradem ao consumidor interno, como os vermelhos, rajados e caupis. Se houver excesso, é possível exportar, até porque existe um mercado mundial ávido por esses produtos.

PIRATARIA

Atualmente, o setor produtivo de Feijão tem implorado por atitudes urgentes, por parte do Governo Federal, para diminuir a pirataria de sementes.

Apenas 15% da área de Feijão usa sementes certificadas. O resultado é a degeneração genética, que diminui a produtividade aumentando, assim, os custos. O próprio governo passa a trabalhar como indutor da pirataria na medida em que, para o custeio e seguro rural, não exige que se use semente com origem comprovada.

A  certificação das semestes não é exigida quando os governos compram Feijão para a merenda escolar ou cesta básica e nem para a exportação. Essa prática não estimula o uso de sementes de boa procedência e prejudica toda a cadeia. Com isso, não se paga royalties à Embrapa, por exemplo, e desestimula a iniciativa privada a investir em sementes, pois, rapidamente, seu investimento será pirateado, trazendo perdas óbvias.

EXPORTAÇÃO

Poderíamos estar negociando com uma gama muito maior de países interessados em fazer comércio de Feijão com o Brasil. China, México e África do Sul são apenas alguns deles. Essas nações tanto podem exportar para cá, como em alguns momentos, ser importadores.

A burocracia braseileira encarece a exportação, tornando-a mais lenta que em outros países, tirando nossa competitividade.

Além disso, quando membros do Ministério da Agricultura promovem produtos brasileiros no exterior, só pensam em soja, milho, carnes, café e algodão. Esquecem que o prato símbolo da nossa cultura gastronômica faz parte do nosso menu de possibilidades no comércio exterior.

 

FÓRUM

Em busca de mudar esse cenário e fortalecer toda a cadeia produtiva de Feijão no Brasil, o Ibrafe têm trabalhado junto aos representantes dessa cadeia na busca de soluções e incentivos para que todos os elos sejam fortelecidos.

No V Fórum Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Eespeciais, que acontece entre os dias 21 e 23 de junho, em Campinas, São Paulo, temas como esses e muitos outros serão abordados.

O evento vai reunir, mais uma vez, todos os envolvidos no processo de produção e distribuição do Feijão para que juntos possam colocar em prática as alternativas que vêm sendo desenvolvidas para o setor.

O Fórum conta ainda com palestras técnicas, feira de negócios e a presença de pesquisadores internacionais . www.forumfeijao.com.br

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