Feijão-caupi é a chave para aumentar o consumo

Dizem que  o aumento de consumo de feijão dependerá sempre de investimentos em marketing. Seguindo o raciocínio, inúmeros entusiastas viam que esse tipo de iniciativa somente funcionaria se o investimento ocorresse maciçamente na TV e muitas iniciativas foram frustradas pelos valores financeiros envolvidos nesses investimentos. Porém, os feijões têm mostrado uma particular característica. Eles têm força, junto ao consumidor, para que iniciativas com menor investimento surtam o mesmo efeito que as campanhas caras e ostensivas.

A experiência, ainda que tímida no Brasil, propiciada pelo Ano Internacional das Leguminosas em 2016 mostrou  que ha possibilidades se encadear uma espécie de corrente do bem. Sim, um sorriso de aprovação se abre no rosto do brasileiro quando se fala em feijão. A simpatia da nossa causa é um case raro, mas não único. Em outras culturas isso também ocorre, por exemplo, ao se falar de carnes para os argentinos, de batatas aos holandeses ou aos alemães e de massas aos italianos. Há um orgulho nacional subjacente ao fato de que o feijão é o prato-símbolo da nossa cultura.

Estabelecida esta base, o nosso consumo de Feijão tem potencial de crescimento. O que tem impedido?

Será que o consumidor tem diminuindo o consumo? Não. As pesquisas do Ministério da Saúde mostram que o consumo não caiu. Cerca de 75% da população brasileira consome feijão 5 vezes por semana.

Aproveito para levantar a questão de que a oferta total tem sido menor do que a possível demanda. Prova é que não temos tido estoques renascentes de safras passadas. O que há é irregularidade na oferta de feijão-carioca, principalmente. Uma evidência disso são os preços altos que este feijão alcança com cada vez mais frequência. Sem medo de errar, o volume que temos ofertado aos consumidores é menor do que eles poderiam e até gostariam de consumir. Ato contínuo, os preços sobem vertiginosamente cada vez com mais frequência diante de alto consumo e fatos vários como intempéries climáticas ou valorização de outras commodities, ou de ambos ao mesmo tempo, como em 2016. Até aí apenas organizamos o raciocínio, mas este fato demonstra que a cadeia produtiva está desperdiçando oportunidade única de expandir o consumo do feijão-caupi.

O fato de o feijão ser o prato-símbolo nacional, o orgulho do brasileiro, aquele que não pode faltar na mesa, a leguminosa tão saudável que é um dos primeiros alimentos dados ao bebê que está sendo desmamado e o caldinho que fortalece o idoso não pode ser encarado como um produto que não precisa de atenção ou estímulo de consumo. Se assim fosse, não veríamos tão constantemente campanhas de marketing em TV, rádio, revistas, Internet, outdoors, etc. para um famoso refrigerante norte-americano. Todos o conhecem, muitos o adoram, vários já estão viciados nele e, mesmo assim, milhares de dólares são gastos anualmente em campanhas de divulgação. Com o feijão precisa ocorrer o mesmo. Por que não? Parece ser esse o “segredo do sucesso”. O hábito de consumir feijão existe. Mas qual Feijão? Qualquer um? Não. É preciso um direcionamento. Não é porque o feijão-preto é o mais consumido no Rio Grande do Sul que podemos nos dar por satisfeitos. Gaúchos gostam, e muito, do feijão-preto. Mas consomem o caupi? É por que não gostam? Como é possível responder NÃO se eles não o conhecem ou não conhecem suas variadas formas de consumo? Certamente consumir uma sobremesa ou um caupi em um baião de dois, feita com caupi não causará a diminuição do consumo do feijão-preto com arroz… Pelo contrário, aumentará o consumo total de feijões. Não se pensa em substituir um feijão por outro. O que se defende é, sem substituição, acrescentar uma nova variedade, numa nova forma de consumo.

Além disso, o básico também pode ser incrementado. O amplo consumo do caupi pode ser ampliado ao se apresentar a esses consumidores novas formas de preparo. Os pratos tradicionais continuam na mesa diária do brasileiro, mas acompanhados de outros novos. Para isso, é preciso informação, conhecimento e divulgação.

Começando pelos estados nordestinos, onde já é grande o consumo e se conhecem as receitas de preparo. Sim, uma campanha virtual enfatizando os pontos fortes deste feijão tem potencial para fazer aumentar o consumo. Capitais como Brasília e São Paulo, com presença marcante da cultura nordestina, devem explorar melhor o orgulho de consumir este feijão. Belo Horizonte, Cuiabá e Goiânia, as capitais com maior consumo de feijão no Brasil, têm uma excelente possibilidade de aproveitar melhor esta positiva característica regional. Para todos, o fato do caupi estar relacionado com uma “leveza” natural pode facilitar a inclusão deste em pratos para o jantar, em saladas e em sopas e até, acreditem, sobremesas muito saborosas. Os famosos chefs de cozinha estão prontos a buscar sugestões que possam ser facilmente postas em prática por quem cozinha no dia a dia no lar de cada família.

O conhecimento a respeito de suas características nutricionais e benefícios específicos podem ser melhor explorados na mídia expontânea, que sempre busca temas como este.

Se a pesquisa está fazendo sua parte e os produtores estão semeando, experimentando e evoluindo no seu âmbito, quem precisa cooperar agora? A comercialização.

Quem vem tomando a frente é o Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe). O projeto piloto já está sendo executado deste  o ano passado durante o Ano Internacional dos Pulses, ou seja, Feijões, lentilhas, ervilhas e grãos-de-bico. O Ibrafe fechou um acordo para a realização de Festivais Gastronômicos, sendo que o inicial foi em Foz do Iguaçu, durante o Fórum do Feijão, em julho de 2016. Houve  um jantar preparado por chefs de Curitiba, Recife e Maceió. O desafio lançado a eles foi  preparar esse jantar com o Imponente (caupi), com o Ático (branco), ambos da Embrapa, com o Tigre (pinto beans), do NDBC – National Dry Bean Council e com o Cranberry, do IAC, um prato de entrada, dois pratos principais e uma sobremesa, todos com receitas inéditas de Feijão.

Quem não gosta do novo? Veja a reação dos consumidores da Região Sul que nunca haviam experimentado um baião de dois. É paixão a primeira vista ao se experimentar! Este prato já é considerado gourmet em diversos restaurantes elegantes.

Estamos utilizando o Facebook, sites e todos os contatos com chefs em um trabalho constante de divulgação de todos os Feijões que podem ser produzidos e consumidos no Brasil.

“O que quer que você possa fazer, ou sonho que tiver, comece! A audácia carrega genialidade, poder e mágica nela.”  Johann Goethe

Nós do feijão já começamos e precisamos do seu apoio, se você é brasileiro junte-se a nós e curta, apoie e compartilhe nossas iniciativas.

 

 

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