Novos feijões – Como chegar a 1 milhão de hectares

Até o momento, o Brasil estima plantar, durante o próximo ano, cerca de 2,96 milhões de hectares, uma área que será 4,5% maior do que a de 2016. Esta área será dividia em três safras, que serão colhidas em janeiro/fevereiro, em abril/maio e em julho/agosto de 2017.

A primeira safra dedicará 1,10 milhão de hectares para o feijão-carioca e para outras cores e 0,18 milhões de hectares para o feijão-preto. Já na segunda safra, a área total será de 1,31 milhão de hectares e espera-se que os produtores dediquem 0,4 milhão de hectares para feijão-carioca e outras cores, 0,11 milhão de hectares para o feijão-preto e 0,79 milhão de hectares para os feijões caupi.

Na terceira safra, a expectativa, até o momento, é que a área seja de 670 mil hectares para feijões caupi e 790 mil hectares para o feijão-carioca e outras cores. Se a produtividade média do ano, entre todos, for de 1.048 quilos por hectare, espera-se que possamos chegar a ter 3,1 milhões de toneladas.

Isso será menos do que colhemos entre 2011 e 2014. Qualquer problema climático, por mais leve que seja, poderá causar picos de preços novamente. Não necessariamente como vimos em 2016, mas o suficiente para trazer inquietação ao consumidor.

As boas novidades vêm das pesquisas com outras variedades que começam a apresentar resultados. Durante o ano de 2016, aumentamos a produção de mungo para moyashi e, ao que tudo indica, teremos, durante a safra 2017, pequenos volumes de exportação de mungo, de guandu e também do dark red, que é o vermelho-cavalo.

Essa estratégia visa não somente a exportação, mas também a diversificação do consumo no mercado doméstico. Na medida em que nossos produtores produzam e a população consuma outros feijões, diminuímos a dependência do feijão-carioca, que só é produzido no Brasil e para o Brasil. Desta forma, esperamos que, quando houver problema em nossa produção, tenhamos maior facilidade de aceitação, pelos nossos consumidores, desses outros feijões e poderemos importá-los, suplementando a falta.

Por exemplo, o consumo do feijão pinto beans, que será conhecido aqui como tigre, evitaria que o valor voltasse, em casos extremos, ao nível de preço que chegou em 2016, quando o consumidor pagou até R$ 15 ou mais por quilo. Como esse feijão tem mercado mundial, não dependeremos de que o governo federal adquiria os excedentes, pois eles podem ser exportados.

Durante o V Fórum Brasileiro do Feijão e Pulses, em junho de 2017, haverá o lançamento desta cultivar tigre, de escurecimento lento e adaptado ao clima do Brasil. Seguirá o que já acontece com a produção de caupis, pois temos exportado o excesso deste feijão, dando liquidez aos produtores que investem nestas variedades sem depender do preço mínimo.

A exceção foi 2016, quando perdemos praticamente 90% das lavouras de caupi pela seca causada pelo La Niña. Há um trabalho muito forte sendo feito a partir deste ano por algumas empresas para aumentar não somente a exportação deste feijão, mas também produzir outros pulses (do latim puls)  como lentilha, ervilha e grão-de-bico.

O Brasil até hoje tem sido, na verdade, importador dessas variedades. Na medida em que se tem incentivos para diversificação, em primeiro lugar o mercado interno do Brasil será atendido e deverá vir a atender a demanda mundial. Uma das novidades para exportação muito aguardada para o próximo ano é o feijão imponente. A ótima aparência e o maior tamanho fazem dele uma das boas novidades da pesquisa e dos produtores do Brasil.

Como as previsões de aumento de consumo na Ásia realmente vão acontecer, segundo a FAO, podemos chegar a 1 milhão de hectares dedicados aos pulses nos próximos dez anos, mas, para isso, os produtores e os exportadores terão que buscar a segurança de contratos para produção. Atualmente, os exportadores têm se exposto demais nas exportações, para empresas que não honram seus compromissos.

Abandono de cargas em portos, ou mesmo sequestro de produto, amarrados por exigências sem sentindo, têm desanimado diversas empresas. Como o governo brasileiro tem buscado estabelecer melhores relações com diversos países, os produtores e os exportadores esperam que estas iniciativas sejam o começo de relações mais francas, abertas e seguras.

marca-evento-forum-feija%cc%83o_2017_ajustada_uv

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *