Abastecimento de feijão em 2017 não está sob controle

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Acredito que o feijão precisa e merece buscar espaços que o coloquem em discussão. Após a grave crise de abastecimento de 2016 – que coincidiu com a menor área plantada da história e com um El Niño severo –, há real necessidade de que a sociedade brasileira mantenha sua atenção ao item número 1 de nossa cesta básica. Enquanto segue a pressão por maior envolvimento público, não se pode cruzar os braços e esperar. Ninguém deixou de se manifestar ironicamente sobre o nível dos preços. Desta forma, o chão da fábrica descobriu algo em comum com a diretoria, tanto o porteiro quanto o morador da cobertura: somos todos consumidores de feijão. Alguns, mais vezes por semana, e outros, não tantas. Mas encontramos em nós mesmos um consumidor apaixonado.

E agora? Está tudo bem? O preço abaixo de R$ 10 significa que está tudo sob controle? Não, de forma alguma. Em 2014, o produtor jogou feijão fora na rua como protesto pelo governo não ter honrado o preço mínimo prometido. Este mesmo governo baixou o preço mínimo do feijão para o ano-safra de 2015. Se um analista do governo acha normal colocar nas previsões que seremos importadores de crescentes volumes ano a ano, eu não concordo. Isto é falta de vontade da área pública, precisariam pensar e trabalhar mais, pois o risco que corremos é seríssimo.

Só se fala em soja, milho, café, carnes, etc. Isso é tudo? Claro que não. Explico. Itens básicos como feijão fazem parte da segurança nacional. Exagero? Penso que não. A reação com humor em redes sociais é a típica primeira reação do brasileiro. Nós nos safamos porque havia feijão-caupi e feijão-preto com valores abaixo do feijão-carioca. Porém, se todos os feijões estivessem com preços ao redor de R$10, sem dúvida o momento teria sido usado facilmente como tema de protestos.

Agora, os técnicos do governo dizem que tudo passou e teremos um tranquilo 2017. Discordo de novo. Na sempre otimista planilha deles, teremos apenas 2,95 milhões de toneladas. Isso quer dizer que estaremos longe das 3,4 milhões de toneladas necessárias. Sempre aparece um esperto para afirmar que o consumo está caindo, por isso a produção também deve cair. Mas, ora bolas, se produzimos no ano passado 13,2 quilos por habitante, como é que poderemos atender os 17 quilos de consumo per capita, que é a real estimativa do consumo do brasileiro? Tenham a santa paciência… Que ajude a construir uma estratégia para buscarmos, ainda que seja um enorme desafio, o preço justo para o consumidor e o produtor.

Acredito que parte importante do problema de abastecimento que temos vem do fato de que plantamos e consumimos feijão-carioca. No próximo post vou abordar este aspecto. É polêmico, mas precisamos enfrentar o problema de frente.
Doa a quem doer.

3 respostas para “Abastecimento de feijão em 2017 não está sob controle”

  1. Leodimar Monaretto disse:

    Oque tipo de feijão planta em fevereiro no sudoeste do Paraná pra pegar melhor preço?

  2. João Carlos Tumelero disse:

    O governo federal que foi deposto tinha outros “objetivos”. Agora com o Maggi na Agricultura, acredito que haverá espaço para diálogos. O produtor deverá ter a garantia de pelo menos R$ 2,00 por quilo de feijão safra nova. Assim, poderá produzir sem o fantasma do prejuízo é o consumidor não terá que pagar o feijão mais caro do que a carne. Concordam?

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