Brasil, cautela na guerra comercial EUA x China!

A guerra comercial num mundo de forte integração planetária das cadeias produtivas não será vantajosa para ninguém. As decisões de peso nessa briga de cachorro grande repercutem nos cachorros médios e pequenos. O Diretor Geral da OMC alerta para o risco de o mundo entrar numa nova recessão. Os impactos imediatos são diversos.

Uma implicação temerária é que os investimentos das empresas para produzir neste ou naquele país e a logística de movimentação de bens intermediários e finais estão sujeitos a alterações. Eventuais mudanças nos circuitos de transportes marítimos e de carga aérea podem influir nas decisões de investimentos e na própria competitividade de certos países e produtos destinados ao mercado internacional

Por outro lado, os ingênuos e os desinformados não devem confundir intenção e gesto. Ao que tudo indica, não é o caso de uma guerra comercial fora de controle. Trump quer uma posição de força para negociar, e conseguir uma de suas promessas de campanha: baixar o mega déficit comercial dos EUA. A China retruca para se posicionar à altura, antes de sentar para conversar, e para isso escolheu a dedo certos produtos para aplicar o mesmo imposto de importação de 25%. Ou seja, diversos deles são originários dos estados onde Trump tem maior apoio eleitoral. E mais, nos EUA, as medidas requerem prazo de até 2 meses para entrar em vigor. Tempo oportuno para novos lances.

O Brasil deve ter cautela, não assumir posição nem agir para tirar proveito da situação, em detrimento de uma ou outra parte. Pela simples razão que dependemos destes dois que são nossos maiores sócios comerciais. Nossa pauta de exportações para os EUA é diversificada e inclui produtos de maior valor agregado, porém a da China tem maiores valores embora 70% corresponda a minério de ferro e soja. Sem esquecer que estamos no meio da negociação com os EUA para nos livrarmos da tarifa extra de 25% sobre as exportações de aço e alumínio. E a China, se assim o quiser, pode nos impor restrições às nossas exportações de carnes ou aviões.

Nesse episódio comercial tsunâmico, o Brasil tem a ganhar no curto prazo (e nem precisa de esforço para isso, os agentes econômicos já estão agindo) e a perder no médio prazo. Sim, haverá mais compras de soja (que em 2017 alcançaram 55% do total comprado pela China, e receber maior prêmio pelo produto brasileiro), mas a China não admitirá o Brasil-dependência na soja, ou no algodão ou em carnes. A Ucrânia deve aumentar as vendas de milho, a Austrália tem algodão, UE e Canadá têm carnes e outros produtos concorrentes com os nossos.

Os solavancos do curtíssimo prazo serão assimilados pela China, pois o País reformulará suas compras no futuro, diversificando seus fornecedores segundo seus interesses comerciais, de investimentos e diplomáticos.

Minha aposta é que ao final e ao cabo de alguns meses de desavenças, as duas partes concordarão com novos parâmetros para o comércio bilateral, que é de grande interesse para investimentos, emprego e controle inflacionário de ambos contendores. E Trump tentará anunciar triunfante: viram, eu corrigi as condições de um comércio prejudicial aos EUA que meus antecessores deixaram acontecer.

Por seu turno, os países que tomarem partido de um lado ou d’outro podem sair repartidos …

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