“Novidade”: leite vem de vaca, não de coqueiro

A União Europeia, Austrália, Nova Zelândia e outros países já consignaram em lei que leite é produto originário de glândula mamária de animais mamíferos. É, foi preciso confirmar em lei para que não houvesse mais enganação aos consumidores e deslealdade com os produtores de leite e derivados lácteos ao se anunciar leite de coco ou de outros vegetais como bens substitutos similares. No Brasil, um Projeto de Lei similar tramita na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.

Ora, quem preferir tomar suco ou extrato vegetal de cor branca ou o que seja não pode ter seu direito de escolha inibido ou desestimulado. Absolutamente nada contra quem prefere suco ou extrato vegetal ao invés de tomar qualquer outra bebida. Porém, a recíproca é verdadeira para os consumidores que preferem o produto leite que a Humanidade consome há cerca de quatro mil anos.

Na ânsia de ganhar clientes, há os que forçam os argumentos para além das comprovações científicas confiáveis e neutras. É comum o uso de meias-verdades, com base em opiniões apressadas ou casos observados, etc. Não são raras as afirmações em rótulos do tipo, “indicações científicas mostram que …”. Outros afirmam, com empáfia, que os humanos adultos são intolerantes ou alérgicos ao leite.

Ora, há os que tentam negar que grande parte da população humana do planeta desenvolveu a capacidade de digerir o leite sem reação negativa, e que o mesmo é simultaneamente um rico e poderoso alimento, estratégico no combate à desnutrição de mais de 50 milhões de brasileiros pobres, e é destaque no cardápio, isoladamente ou em pratos deliciosos.

Nesse contexto, uma grande empresa brasileira recém-lançou um produto que o consumidor poderia comprar no lugar do leite. E exageraram na propaganda, via redes sociais, sobre os defeitos do produto leite e das próprias vacas, a tal ponto de ser considerada ofensiva aos produtores, além de enganosa aos consumidores.

Diante dessa situação, a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite) recorreu ao Ministério da Justiça contra a propaganda agressiva e prejudicial a cerca de um milhão e duzentos produtores de leite de vaca, búfala e de cabra.

O Ministério da Justiça acolheu o pedido e oficiou aos responsáveis, por meio de intimação para se justificar. A reação neste mês de fevereiro, foi a retirada do anúncio agressivo dos veículos sociais.

Com efeito, restituiu-se o respeito que faltara a mais de quatro milhões de pessoas (produtores e suas famílias) que dependem da pecuária leiteira e de laticínios para viver, e interrompeu-se uma intimidação a consumidores que não têm intolerância ou alergia a leite, e que seguirão se alimentando de um dos mais completos alimentos e de seus apreciados subprodutos lácteos.

Tudo isso poderia ter sido evitado, se as pessoas não olvidassem de um antigo e sábio provérbio: “Para eu crescer não devo nem preciso depender da diminuição do outro”.

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