Reforma da Previdência é questão matemática, não política

Quem está contra ajustar o sistema previdenciário ou não entende o que Brasil necessita para o presente e futuro ou é político hipócrita obsessivo em desgastar o adversário ou de uma minoria que é sempre do contra por princípio ou simplesmente porque não domina as quatro operação aritméticas. Apesar de tudo, respeito as opiniões diferentes.

Ora, não é necessário ser economista para saber que não estamos diante de uma situação de escolha, mas de imposição dos números e dos fatos.

De um lado, existe uma situação de inviabilidade de um sistema – eivado de abusos adquiridos – que paga aposentadorias e pensões no segmento privado e público, em municípios, estados e na União, como se estivesse num mundo descolado da realidade econômica e social. Dados do Ministério do Planejamento (publicados pelo Estadão de 10/10/17, Cad. A-3) indicam que apenas os gastos com aposentadoria já chegaram a quase 60% do total dos gastos sociais do governo federal.

Alguns mal-intencionados têm o desplante de afirmar que não existe déficit, que a culpa é da DRU, que a corrupção é que inviabiliza, etc. Será que não basta constatar o tamanho do déficit, envolvendo a previdência do setor privado e público, o qual em 2017, segundo dados oficiais, fecharão em “apenas” R$184 bilhões. E cresce firme, rápida e assustadoramente, na direção do quadro de inviabilidade, levando o País a uma situação similar ao do estado do Rio de Janeiro, onde por sinal existem 220 mil funcionários públicos ativos e 400 mil aposentados os quais, atualmente, estão com os salários atrasados (apesar do socorro do governo federal na renegociação de sua dívida impagável).

As contas não fecham, impõem cortes em áreas como educação e saúde (justamente onde os mais pobres são beneficiados), e inviabilizam as contas públicas. O mercado mundial conclui que o Brasil não apenas não consegue pagar suas dívidas como as aumenta, perigosamente. O resultado é sempre o risco-país nas alturas, refinanciamento de dívidas a juros estratosféricos, trava no crescimento econômico e geração de empregos, que por sua vez, trazem sérias crises social e política. E nós da agricultura também estaremos no turbilhão. A Grécia foi por esse caminho, e contou com a União Europeia para resgatá-la. O Brasil, pela sua dimensão, não terá a quem recorrer. E ainda há aqueles que são iludidos pelo o argumento de que isso é terrorismo.

São duas as principais causas da gigantesca cratera :

  1. As distorções causadas pelos privilégios do lado do Setor Público, em especial no Judiciário, onde a média do valor das aposentadorias é 23 vezes maior do que recebem os brasileiros comuns, e também no Executivo onde o privilégio garante que este índice seja 6 vezes maior que os do setor privado.

Cortar abusos adquiridos gera reação nervosa, e a camada superior do Serviço Público, as corporações e os sindicatos sabem sabotar iniciativas corretivas que lhes afetam. Por seu turno, os políticos farejam perda de seus votos, por isso são velhacos quando se trata de interesses do país que não coincidem com os seus na luta para se reeleger.

  1. O aumento da expectativa média de vida do brasileiro, que já alcançou 78 anos. E a média de idade dos homens aposentados é de 56 anos para os homens e 53 para as mulheres. Ora, essa idade, atualmente, é considerada de “jovens”. Os países sérios já adotaram o limite de 60 e 65 anos para mulheres e homens, respectivamente, e até mais que isso.

A proposta em trâmite é adotar limites razoáveis, a serem implantados gradualmente, com prazo de 20 anos, mantidos os direitos do que muitos chamam de abusos adquiridos.

Há outros problemas no sistema que certamente terão que ser enfrentados posteriormente. Por exemplo, a manutenção de direitos especiais apenas para as categorias especiais, excluindo aquelas que sabem como entrar aí via invasão de prédios públicos, quebra de vidraças, bloqueio de ruas e estradas, campanhas publicitárias enganosas, etc.

A propósito, ninguém sabe quantos dos atuais 6 milhões de aposentados especiais do meio rural tiveram sua vida efetivamente no meio rural ou se aproveitaram de circunstâncias passageiras para se enquadrar nessa categoria. Doravante, é importante e justo que os pequenos agricultores, que realmente vivem no campo, tenham tratamento diferenciado na previdência.

Enfim, o que é indispensável para a nação, e em especial, às gerações depois da nossa, é que os imprescindíveis ajustes na previdência pública e privada, não sejam tratados sob a ótica da conveniência dos partidos políticos e parlamentares que apoiam ou não este ou aquele governo.

E atenção candidatos e candidatas, ao contrário do que alguns dizem, aqueles que votarem contra a urgente e fundamental adaptação na Previdência serão rejeitados pelos que entendem o que se passa e amam o Brasil.

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