Não usem o santo nome dos agricultores brasileiros em vão

O agronegócio significa em torno de 25% do PIB. Mas atenção: desses 25%, transformados em 100%, como fica a divisão dentro dele? Quanto significa os produtores rurais dentro dessa conta do agronegócio?

 

 

 

Cerca de 30%, o restante, ou seja 70% do que chamamos agronegócio, não está dentro da porteira das fazendas.

Esses outros 70% são formados na sua maior parte, quase 60% pela indústria, a agroindústria, pelos supermercados, o varejo dos alimentos, pelo transporte e armazenagem.

Os outros 10% restantes pelos setores de máquinas agrícolas, sementes, adubo, defensivos e produtos veterinários.

Do total do agronegócio brasileiro, saiba que 70% dele não está nas mãos dos agricultores. Apesar de que sim, sem os produtores rurais não haveria todo o resto.

Mas, para que serve toda essa conta?

Voltando ao assunto do tabelamento do frete… com essa bagunça de falta de negociação ao longo do tempo, com caminhoneiros sofrendo e sendo castigados com condições inumanas de trabalho na porcaria da horrível infraestrutura da logística brasileira, com o que concordo com os líderes dos seus movimentos, mas, também colocando um basta na choradeira da vitimização nacional que assola o país, ou seja, pela incompetência da Sociedade Civil Organizada e dos seus representantes em se unirem e juntos resolverem os problemas do país, voltamos agora a um impasse com promessas de mais crises na relação transporte, o país e o agro.

Mas atenção: um agro industrial, um agro comercial, onde essa questão do confronto com a idiotice do tabelamento do frete não pode ser colocada para a opinião pública como sendo agora coisa dos agricultores versus os caminhoneiros.

Onde não há diálogo, negociação, tudo termina em explosão.

Existe um comando nacional do transporte, a CNT, assim como existe a Confederação Nacional do Transporte, além de dezenas de associações e de candidatos a serem líderes dos caminhoneiros.

Do outro lado temos dezenas de entidades patronais, uniões como a Associação Nacional dos Usuários de Transportes, além de termos a CNA – Confederação Nacional da Agropecuária, a CNI, da indústria, a CNT, do comércio… e pelo lado do governo, ministros, o transporte da agricultura, que aparecem falando agora em nome dos antagonistas dos caminhoneiros, tem a ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, que vai propor nova tabela.

Então, como cantava Raul Seixas: “Parece sério, mas tem mais estrelas do que constelação”.

Vivemos sim uma gravíssima crise de lideranças e de representação, e nesse vácuo, sobram WhatsApps com espertos berrando, chamando suas vítimas e fazendo convocação.

“Toque o berrante, seu moço…” cantava também Sérgio Reis, “… no menino da porteira… que é pra eu ficar ouvindo…”.

Não usem o santo nome dos agricultores brasileiros em vão.

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