O drama do agronegócio no Brasil

E viva Raul Seixas que cantava: “Sei que é muito sério, mas é tudo armação. O problema é que tem muita estrela pra pouca constelação…”

 

E aí reside nosso drama no país e no agronegócio. Não temos a competência de gerar programas econômicos fundamentados na visão de cadeias produtivas de valor.

“Então, qual é a última, mas que já deve ter virado penúltima, pois as estrelas que deveriam compor uma constelação do país, simplesmente nunca formam a tal da constelação…”, Raulzito assim disse na sua canção.

Na greve dos caminhoneiros todos se lembram bem de um dos desejos da categoria era o tabelamento do frete. As entidades concordaram e a Confederação Nacional do Transporte – CNT também.

Como essas estrelas não falam com as outras, esqueceram de combinar com os clientes… aqueles que tem mercadoria para transportar e com o consumidor que irá pagar!

Consequentemente o custo do frete, segundo entidades do agro, como a Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais – ASBRAM, por exemplo, importantíssima para a comida do gado, informou que o aumento médio estimado em 40%, e em alguns casos pode elevar o custo em mais de 400% , significa ser impossível de repasse, o que inviabiliza as suas operações.

Ocorreu uma paralisação dos embarques de suplementos minerais no país. Empresários consultados afirmaram que no cálculo dos custos o frete aumentou 27% na média com o tabelamento.

Estudos antigos levantados pela Folha de São Paulo de 2017 apontaram o próprio Ministério da Fazenda ser contra o tabelamento por restringir a competição e elevar os preços dos transportes de cargas.

Como temos no Brasil mais estrelas que não cabem numa constelação, não há diálogo, mesmo dentro de uma cadeia produtiva.

Esse sim é o sinônimo de agronegócio, agribusiness, a somatória de todos os fatores envolvidos na tecnologia, ciência, produção, armazenagem, transporte, distribuição e acesso aos mercados de tudo o que é originado nos campos.

A Confederação Nacional da Indústria – CNI e a Fiesp deverão entrar com Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIN contra o tabelamento do frete.

Ou seja… vale perguntar até quando as lideranças dos macro setores empresariais brasileiros irão continuar agindo como na música do Raul Seixas, olhando só para o seu umbigo e ignorando que o umbigo do outro mexe diretamente com o dele com o do outro, com o seu e o meu?

Ainda a ser confirmado, parece que teve erro na impressão da tal tabela, o que se for verdadeiro adiciona mais comédia e farsa nessa história que se repete, só pra não falarmos de tragédias.

CNI e Fiesp juntas… que bom… mas por que não criar imediatamente no país um comitê de crise e planejamento do futuro reunindo todas as confederações nacionais empresariais, todas, e que possamos discutir e negociar e planejar, pelo menos modelos econômicos sob uma visão sistêmica de cadeias produtivas?

O que parece servir pro caminhoneiro, pode não servir para a agricultor, que pode não servir para a indústria, ou para o comerciante pode não servir para o cooperativado… para o exportador e o transportador… e no final não servir em nada para o consumidor… e vice versa.

Conclusão: com a tabela do frete, o caminhoneiro gostou, mas o cliente não, e se não rever e negociar, haverá prejuízo e paralisação. Não no caminhão, mas no estoque onde se faz a produção.

Viva Raul Seixas: “…Tem muita estrela pra pouca constelação…”. Não tem país subdesenvolvido, tem país sub administrado. É hora dos líderes da Sociedade Civil Organizada se organizarem e quem sabe criarem uma constelação.

3 respostas para “O drama do agronegócio no Brasil”

  1. Odair Faber disse:

    É isso aí meu Tejon, infelizmente no nosso país cada um está preocupado com o seu quadrado e o governo na sua incompetência promove a total desinformação pois reage e muito mal quando pressionado.

  2. Odair Faber disse:

    Correção: Meu caro Tejon…

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