Transporte de animais – os dois lados da moeda

Hoje se reúne o colégio de líderes partidários do estado de São Paulo, e um tema ligado ao agronegócio está em debate: o transporte de animais vivos.

Se trata de um projeto de lei do Deputado Estadual Feliciano Filho proibindo o embarque de animais vivos no transporte marítimo e ou fluvial com a finalidade de abate para o consumo (Projeto de Lei n°31/2018).

Fui ouvir líderes do agronegócio e todos os que ouvi consideram esse projeto de lei mais uma dessas coisas bem intencionadas sob uma visão superficial humana, mas desprovida de razão.

Ouvi o vice-líder do governo em Brasília, Deputado Federal Beto Mansur, que acompanhou o assunto daquele navio boiadeiro em Santos (ele esteve lá pessoalmente)… ouvi também o Deputado Federal Arnaldo Jardim, há pouco tempo era secretário da Agricultura do estado de São Paulo e o Deputado Estadual Roberto Morais, e ao ler o projeto de lei, me lembrei de aulas que tive com o americano John Grinder, fundador da programação neurolinguística, onde ele me dizia: “Os três pilares da manipulação das mentes se encontram no poder da generalização, da eliminação de ângulos dos fatos e da distorção dos mesmos…”.

Ou seja, distorça a realidade. Os navios boiadeiros são verdadeiras câmaras de torturas. Generalize todo e qualquer transporte por água e será um campo de concentração nazista para a crueldade animal elimine. Não há dignidade alguma possível nesse comércio. Ao contrário, apenas ganância cruel.

Então aí temos a manipulação neurolinguística do fato. Tenho amigos veganos e do bem-estar animal. Eu os respeito muito. Porém, a lei para impedir a exportação de bois vivos significaria da mesma forma uma crueldade com produtores, ou uma miopia com relação a clientes internacionais que desejam fazer a terminação do gado em seus países, conforme suas leis religiosas.

Pelo que soube, esses navios boiadeiros não são locais de extermínio, ao contrário, de milhões de seres humanos que hoje se submetem com filhos e famílias a cruzar mares para fugir do terror cruel de líderes em seus países.

Esses navios têm como preocupação manter em ótimas condições de saúde os bois, pois o objetivo é o de transportar e levar ao destino final a boiada viva, que custa dinheiro aos seus compradores.

Temos apenas 300 mil cabeças de bois em contratos para exportação em pé, de um rebanho nacional de mais de 200 milhões de bois.

E ainda, há uma parte interessante por trás desse assunto. Ao exportarmos bois vivos, passa a existir uma precificação internacional, que sinaliza para o preço do mercado interno do boi em pé, coisa boa para os pecuaristas.

O deputado Feliciano Filho representava o Partido Social Cristão à época – que tem como marca e bandeira um peixe – e recentemente mudou de partido para o Partido Republicano Progressista – PRP.

A multiplicação da carne, milagre cristão antigo. Hoje transportar peixes vivos nos mares em gaiolas com água também tem sido uma prática inteligente, mas para os abater somente ao chegar em terra. Pecado ou bom milagre?

De boas intenções o universo está cheio, mas ligar o comércio de bois em pé, em navios, a defesa do meio ambiente e contra a crueldade animal me parece distorção, generalização e eliminação, o tripé da arte da manipulação de massas.

Senhores do colégio de líderes partidários, antes de votar, conversem com pesquisadores e cientistas, conversem com quem faz o comércio e com setores da alimentação.

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