Navio com 27 mil bois a bordo parte de Santos

Amigos santistas relataram no início dessa semana que a cidade foi tomada pelo cheiro das fezes, urina e do curral naval ancorado proibido de partir no Porto de Santos no dia 04.

O cliente da boiada, a Turquia, comprou bois novos, ainda garrotes, para que no território turco pudessem fazer a terminação, pois querem assegurar um procedimento de manejo e nutrição dentro de seus critérios, regras e leis do país.

Navio Nada é o maior para bovinos em operação no mundo e está retido no Porto de Santos, SP (Foto: Fabio Mello Fontes/Arquivo Pessoal). Retirado do site G1.

 

Há controvérsias gigantescas. De um lado, ONGs criticando e reverberando ser de uma brutal desumanidade o procedimento, de outro especialistas e técnicos que ficam no centro pendular da questão, afirmando que precisamos reler e regulamentar a lei e termos uma posição clara, pois quem termina por mais sofrer, numa questão dessa, com 27 mil bois num navio impedido de zarpar onde todo o esterco não pode ser limpo, sem dúvida alguma, o sofrimento fica decretado entre sejam elas as boas ou as más intenções, como afirma o zootecnista Dr. Mateus Paranhos.

O segmento da carne considera um absurdo o que ocorreu com uma liminar criando uma exposição mundial para um tema criado aqui, do lado de dentro do país. Novamente tivemos pontos de vistas opostos dentro dos próprios técnicos que geraram o parecer veterinário que resultou na liminar e as investigações que resultaram na cassação da liminar.

O Brasil exporta por ano cerca de 600 mil bois vivos. Temos um rebanho de mais de 200 milhões de bois. Há um ponto importante sob o ponto de vista do mercado e dos negócios.

Quando exportamos esses bois vivos, esse valor pago, esse preço, influência o preço da arroba do boi vivo nas relações entre os pecuaristas e os frigoríficos nacionais. Quer dizer, termina essa pequena exportação de bois vivos significando um marco de preços também sobre os valores pagos internamente aos produtores.

O Deputado Federal Beto Mansur, vice líder do governo na Câmara estava em Santos e foi pessoalmente visitar o navio. Nos enviou vídeos e fotos mostrando a estrutura existente nesse barco boiadeiro. Da mesma forma, a veterinária que fez o relatório anterior, enviou fotos com uma angulação diferente, oposta.

Mas, o navio partiu. Existem temas que serão a cada dia que passa profundamente incomodantes, irão nos incomodar, e ao sermos incomodados, devem promover um debate e um diálogo que siga a ciência e o outro lado dessa moeda, a ética.

Para isso e incomodados com isso, professores doutores fundadores do PENSA, Programa de Estudos dos Negócios do setor Agroindustrial, da FEA/USP irão criar o MIRA – Mesa dos Incômodos Reinantes no Agronegócio, que começará ainda neste semestre. O intuito é discutir e debater incômodos.

Esse entrelaçando bem-estar animal com consumo, valores, ciência, ética, mitos e fatos, sem dúvida poderia ser uma das primeiras mesas de incômodos reinantes no agronegócio.

2 respostas para “Navio com 27 mil bois a bordo parte de Santos”

  1. henrique rolim disse:

    Infelismente, a população pouco sabe da importância da pecuária na economia, se assim o soubessem, estou certo que o entendimento seria outro.

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