A carne brasileira e a credibilidade dos europeus

Carne de cavalo paga o preço da desconfiança dos europeus com a sanidade da carne brasileira

 

Joseval Peixoto, no jornal da manhã da rádio Jovem Pan que foi ao ar dia 14 de junho, comentou sobre a nova crise que se abre com a ameaça do comissário de saúde da Europa, Vytenis Andriukaitis, em carta enviada ao ministro da agricultura Blairo Maggi, com termos duros e agressivos, sob o ponto de vista diplomático.

 

 

Na carta, tendo como fonte a Folha de S. Paulo e o Estadão, os europeus declararam:

“As notícias de corrupção no Brasil com o setor de carnes em seu centro também colocam em questão a credibilidade das garantias oficiais dadas e a confiança da Europa nessas garantias.”

Os europeus realizaram uma auditoria em diversos lotes de carne embarcada, não apenas nos vinte e um frigoríficos delatados na Operação Carne Fraca, mas em outros.

Esses resultados foram apresentados para todos os ministros da área na Europa. Segundo o comissário europeu, “várias falhas sistêmicas no controle foram identificadas”, e acrescenta na carta que: “durante a auditoria realizada no início de maio mais de cem casos de Salmonella  e E. Coli foram registradas nas carnes brasileiras.”

Portanto, a exportação brasileira de carne de cavalo, que é insignificante, foi proibida como um tiro de alerta, e uma comissão europeia visitará o país ao final de 2017, e passarão a exigir um plano completo do governo brasileiro e relatórios regulares.

Ao mesmo tempo, o ministro da agricultura Blairo Maggi está neste mesmo instante na China, com negociações para ampliar a compra de carne do Brasil.

Ko Wing-man, secretário de Alimentos e Saúde de Hong Kong, e Blairo Maggi

O que isso significa? Uma ótima oportunidade para todos os interesses europeus, inclusive dos seus produtores rurais, que passam por seríssimas pressões de custos, na ampliação das barreiras competitivas e proteção aos seus mercados internos.

 

A escala europeia hoje compromete a equação de custos e as demandas por subsídios e dinheiro do programa agrícola comum continuam fortíssimas, ao ponto dos dirigentes em Bruxelas, com muita diplomacia, recomendarem aos setor do agronegócio europeu que passe a vender e buscar os mercados asiáticos, fortes demandantes da proteína animal.

Em outras palavras, conscientes da escassez de recursos, dizem sutilmente: “Se virem! Vão buscar mercados com competitividade. ”

Dentro disso, a destruição da confiança nos dirigentes atuais do governo brasileiro significam ótima oportunidade para o acirramento de barreiras e complicações para os negócios do país.

Inclua-se nisso, supermercados que decidem por conta própria, por exemplo, não ter mais produtos originados na JBS em protesto ao aspecto das corrupções, independentemente de qualquer conexão com sanidade.

Hoje o mundo não pode viver sem o suprimento brasileiro de grãos e de proteína animal. Frangos, carne bovina, fundamentalmente e suína em crescimento, assim como em 10 anos, também iremos liderar no segmento de pescado.

Porém, a ausência da confiança é que caracteriza todo ambiente nacional em função da falência de líderes, e que colhe e ceifa ao mesmo tempo, bem intencionados e capazes, oferece ambiente para que os competidores do país, e mesmo detratores do próprio consumo de carne bovina em si, utilizem todas essas questões a serviço de seus interesses ou suas causas.

Acompanhamos o desenvolvimento do setor de proteína animal no país há 20 anos, e o seu crescimento se deu em função de tecnologia e segurança dentro do estado da arte . As exceções não podem ser generalizadas.

Da mesma forma, como ao passear numa rua na França, assistimos um caminhão de entrega de carne bovina, abrindo suas portas na rua, cortando uma parte de uma carcaça na rua, e entregando essa carga num açougue francês. Isso no Brasil daria cadeia imediata.

Caro Joseval, mais um belo abacaxi, ou melhor, carne de pescoço pro Ministério da Agricultura do Brasil processar… mais custos para exportar e maior aperto em todos os rigores. Mas, em terra onde se perdeu a confiança na liderança todos se acusam e vira uma lambança.

2 respostas para “A carne brasileira e a credibilidade dos europeus”

  1. Olá, muito obrigado por compartilhar um conteudo de grande valor como esse, foi muito util para mim, gostei muito continue compartilhando, aguardo os próximos artigos…

  2. anderson disse:

    Gostei da novidade, bem bacana esse conteúdo.Vou vir mais vezes aqui conferir. Se tiver algum conteúdo a mais pode enviar no meu email. Um Abraço

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *